A decisão do advogado sul-mato-grossense Tiago Pitthan, que organizou a própria despedida antes de falecer, colocou em evidência um assunto pouco presente nas conversas familiares brasileiras. O episódio deu visibilidade à possibilidade de definir, ainda em vida, como cada pessoa deseja ser homenageada e deslocou o planejamento do fim da vida do campo estritamente emocional para o terreno das decisões práticas, que envolvem documentos, serviços contratados e combinados feitos com antecedência. A repercussão do caso devolveu ao debate público a importância de conversar sobre a morte, tema habitualmente adiado nas famílias brasileiras.
Coordenadora de operações do Grupo Zelo, Ana Lícia Dantas observa que a organização prévia da cerimônia permite registrar desejos, selecionar os serviços pretendidos e comunicar essas definições às pessoas que ficarão responsáveis por cumpri-las. O propósito é diminuir o volume de deliberações urgentes que recai sobre os parentes logo após uma perda, período em que o tempo disponível para avaliar alternativas é curto e a capacidade de decidir fica comprometida pelo abalo emocional.
O que pode ser definido com antecedência
Entre os itens que podem ser estabelecidos previamente estão a opção entre sepultamento e cremação, a indicação do cemitério ou do crematório, o modelo da urna, a ornamentação com flores e a seleção das músicas que acompanharão a cerimônia. Cada um desses pontos costuma ser resolvido às pressas quando não existe orientação anterior, já que precisam ser encaminhados em sequência e em poucas horas.
Com as preferências registradas, a família deixa de interpretar o que a pessoa gostaria e passa a executar uma vontade que já conhece. A personalização da homenagem deixa de depender da memória de terceiros e passa a seguir um registro objetivo.
A falta desse registro tende a produzir dois efeitos simultâneos. O primeiro é a dúvida, quando ninguém sabe ao certo qual seria a opção do falecido quanto à destinação do corpo ou ao formato da homenagem. O segundo é o desentendimento, situação em que integrantes de uma mesma família sustentam leituras divergentes sobre o mesmo ponto e precisam chegar a um acordo em pleno luto. Ana Lícia Dantas associa a antecipação justamente à redução desses dois cenários.
O planejamento pode ser formalizado por meio de contratos de planos funerários ou da aquisição antecipada de jazigos e de serviços de cremação junto a empresas especializadas no segmento.
Nesse formato, a logística e os custos ficam estabelecidos antes da perda, o que dispensa a família de negociar condições, comparar alternativas e resolver trâmites administrativos em um intervalo de tempo bastante reduzido. O contrato funciona então como um roteiro já definido, acionado quando necessário. Essa modalidade reúne em um único acordo serviços que, de outra maneira, precisariam ser escolhidos separadamente e sob urgência.
Documento em cartório e conversa com a família
Quando a escolha recai sobre a cremação, a legislação brasileira admite o registro de uma Declaração de Vontade em cartório. O documento oficializa a destinação das cinzas e simplifica os procedimentos legais exigidos no momento do falecimento, servindo como comprovação formal de que a decisão partiu da própria pessoa. A medida costuma ter peso porque retira dos parentes a responsabilidade de justificar uma opção que não foi deles.
A coordenadora pondera, no entanto, que nenhum registro documental substitui a conversa direta com os familiares. "É importante que os familiares saibam quais são esses desejos; esse diálogo reduz incertezas, evita conflitos e permite que a despedida aconteça da maneira que a pessoa imaginou", afirma Ana Lícia Dantas, coordenadora de operações do Grupo Zelo.
A ponderação considera a forma como os documentos circulam. Contratos e declarações permanecem arquivados e nem sempre são localizados com rapidez por quem precisa acioná-los, enquanto a informação compartilhada em vida fica disponível desde o primeiro instante e orienta as providências iniciais. Indicar onde os registros estão guardados e quem deve ser contatado integra, portanto, o próprio planejamento.
Na avaliação do Grupo Zelo, tratar a finitude com naturalidade não amplia o receio associado ao tema, mas oferece tranquilidade a todos os envolvidos no processo. A homenagem construída a partir de escolhas conhecidas tende a traduzir a história, os valores e a vontade de quem partiu, em vez de espelhar decisões tomadas sob pressão. Foi essa percepção que o caso do advogado sul-mato-grossense ajudou a recolocar em discussão no país.
Para mais informações, basta acessar: https://www.grupozelo.com/
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