Técnicos da PGR chegam a Curitiba para obter dados das investigações da Lava Jato

Procuradoria-Geral da República relatou 'resistência' da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, e presidente do Supremo, Dias Toffoli, determinou compartilhamento das informações.

Técnicos da Procuradoria-Geral da República (PGR) chegaram nesta terça-feira (21) a Curitiba para buscar os dados de toda a investigação da Operação Lava Jato.

Eles cumprem decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, que no último dia 9 determinou o compartilhamento dos dados numa decisão do início deste mês.

Toffoli atendeu a um pedido da própria PGR, que relatou ter enfrentado "resistência ao compartilhamento" e à "supervisão de informações" por parte dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

A expectativa é que o trabalho dos técnicos dure uma semana, devido ao volume de material. As informações estão em celulares e computadores apreendidos ao longo de toda a Operação Lava Jato, como o computador do empresário Marcelo Odebrecht. A estimativa é de que a PGR tenha acesso a mil terabytes de dados (500 na Polícia Federal e 500 no Ministério Público Federal).

Serão compartilhados dados de 50 milhões de movimentações financeiras que somam R$ 4 trilhões e 784 relatórios digitalizados de inteligência financeira produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Pela decisão do presidente do STF, as forças-tarefa da Operação Lava Jato devem entregar "todas as bases da dados estruturados e não-estruturados utilizadas e obtidas em suas investigações, por meio de sua remessa atual, e para dados pretéritos e futuros, à Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise do gabinete do procurador-geral da República". Ao pedir os documentos, a PGR argumentou que os nomes dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), constaram em denúncia oferecida pela força-tarefa da Lava Jato no Parana à Justiça, embora os dois — na condição de deputado e de senador — tenham foro privilegiado e só possam ser investigados com autorização do STF.

Ao analisar o caso, Toffoli considerou que o procurador-geral da República tem competência para requisitar "intercâmbio institucional de informações". Segundo ele, os procuradores praticaram "evidente transgressão" ao princípio da unidade do Ministério Público, previsto na Constituição.



Por G1

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