Parlamento do Reino Unido impõe nova derrota a Boris Johnson e adia decisão sobre o Brexit

Parlamentares querem discutir toda a legislação em torno do divórcio entre britânicos e União Europeia antes de aprovar acordo do premiê. Governo tem até 23h59 (horário local) para pedir novo adiamento aos europeus, mas Johnson diz que não o fará.

O Parlamento do Reino Unido aprovou neste sábado (19) uma emenda que adia a decisão sobre o Brexit. Por 322 votos a 306, os parlamentares determinaram que toda a legislação em torno do acordo de saída dos britânicos da União Europeia deverá ser discutida e aprovada antes do rompimento definitivo.


Pela lei, o primeiro-ministro Boris Johnson tem até 23h59 (horário local) deste sábado para aprovar o acordo ou pedir um novo adiamento aos europeus (leia mais abaixo).


A sessão do Parlamento foi encerrada ao meio-dia de Londres e os parlamentares voltam a se reunir na segunda-feira (21). Em sua conta no Twitter, a Câmara dos Comuns afirmou que "o governo deve solicitar uma extensão" no prazo do Brexit.


A aprovação da emenda frustrou os planos do primeiro-ministro Boris Johnson, que pretendia aprovar o acordo do Brexit ainda neste sábado. Isso porque Johnson tem até 23h59 (horário local, 19h59 no horário de Brasília) para aprovar o pacto, segundo a data-limite imposta por uma lei que proíbe a saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo. Com o fim da sessão parlamentar, o premiê seria obrigado a pedir uma nova data à comunidade europeia.


Porém, após a derrota, Boris Johnson desafiou o calendário imposto pelos parlamentares e afirmou que não irá solicitar um novo prazo.

"Não negociarei um atraso com a União Europeia e a lei não me obriga a fazê-lo", afirmou.

De acordo com a BBC, o primeiro-ministro prometeu apresentar na próxima semana a legislação necessária para implementar o acordo.


Após o resultado, uma porta-voz da União Europeia disse que agora caberá ao governo do Reino Unido informar os próximos passos do Brexit.

O líder da oposição, Jeremy Corbyn, comemorou o placar da votação e disse que Johnson "deve cumprir a lei" e pedir aos europeus o adiamento no Brexit.


Segundo Boris Johnson, como o resultado da votação da emenda foi "bem próximo", os parlamentares devem apoiar seu acordo com a União Europeia "em números esmagadores", acrescentou o premiê.


A data que marca a saída do Reino Unido da União Europeia foi prorrogada duas vezes. Inicialmente o prazo era 29 de março, mas após o acordo da ex-primeira-ministra Theresa May ser derrotado pela primeira vez, a data-limite foi estendida até o dia 12 de abril.


Porém, a ex-premiê sofreu mais duas derrotas pelo caminho e agora o dia do divórcio entre britânicos e bloco europeu está marcado para 31 de outubro, caso Johnson cumpra a promessa de não pedir um novo adiamento.


Impasse

O andamento da votação do acordo de Johnson com a União Europeia ainda não está definido. Isso porque a proposta já foi apresentada pelo governo ao Parlamento e, segundo a BBC, essa votação não poderia ser "puxada" para outro dia e nem enviada novamente aos parlamentares.


O líder da Câmara dos Comuns, Jacob Rees-Mogg, disse que o governo planeja colocar o acordo em debate e votação na segunda-feira, mas o presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, disse que irá analisar a questão apenas no dia da sessão.

"Vou refletir sobre isso e dar o que espero que seja uma decisão totalmente considerada sobre esse assunto na segunda-feira. Vou fazê-lo, é claro, tendo recebido conselhos em locais apropriados", disse Bercow ao parlamento, quando perguntado pelos parlamentares se isso era permitido.


"O governo não é o árbitro do que é ordenado", completou o presidente da Câmara dos Comuns.


'Melhor solução possível'


Parlamento britânico vota segundo acordo do Brexit em sessão extraordinária

Mais cedo, na abertura da primeira sessão extraordinária do Parlamento Britânico em um sábado desde 1982, o primeiro-ministro Boris Johnson afirmou que o acordo feito com a União Europeia na última quinta-feira (17) foi "a melhor solução possível".


Johnson instou os parlamentares a se unirem para começar a "curar as feridas na política britânica", dizendo que acreditava que a maioria dos parlamentares estava comprometida em entregar o resultado do referendo de 2016, que optou pela saída britânica do Reino Unido.


Ele sugeriu que novas negociações não seriam produziriam novos resultados e pediu aos oponentes do Brexit para que "abandonem a ilusão" de que qualquer atraso adicional ajudaria o Reino Unido.


Novo referendo?

Em 2016, 17,4 milhões de eleitores, ou 52%, apoiaram o Brexit, enquanto 16,1 milhões, ou 48%, apoiaram a permanência na União Europeia. Desde julho de 2017, existem 226 pesquisas sobre o tema. Desse total, 204 colocaram o apoio à permanência na comunidade europeia à frente, sete deram a liderança para sair e algumas ficaram empatados.


No entanto, outras pesquisas sugerem que a maioria dos eleitores não mudou de ideia: 50% do público quer respeitar o resultado do referendo, 42% querem que a Grã-Bretanha permaneça na União Europeia e 8% disseram que não sabem.

Os defensores do Brexit dizem que realizar outro referendo aprofundaria as divisões e prejudicaria a democracia.


O desafio para as forças pró-referendo é encontrar apoio suficiente no parlamento. Em abril, quando o governo realizou uma série de votos em várias opções do Brexit, um segundo referendo foi o mais popular, mas ficou aquém da maioria, perdendo 292 para 280.


Para especialistas, mesmo que outro referendo fosse acordado, levaria meses para se organizar a votação.



por g1

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