Parceria de Bolsonaro com o Centrão deve acelerar saída de Paulo Guedes

Como se fosse um fato menor o Brasil estar em meio a uma pandemia que já causou mais de 4 mil mortes, o presidente Jair Bolsonaro se prepara para enfrentar a sua terceira crise ministerial em menos de duas semanas.

Depois das saídas ruidosas de Luiz Henrique Mandetta e Sergio Moro, é o ministro da Economia Paulo Guedes quem começa a fazer a contagem regressiva. Entre os vários motivos para o divórcio (já que o presidente gosta tanto de metáforas matrimoniais), um dos principais é a parceria do governo com os políticos do Centrão, tão avessos à austeridade que Guedes quer impor às contas públicas.


Se na frente das câmeras os parlamentares centristas sempre elogiaram o chefão da Economia, na prática seguiam na direção oposta. O Centrão é — e sempre foi — sinônimo de gastança. Na reforma da Previdência, enquanto Guedes pregava que o governo deveria economizar, os políticos do bloco só aceitaram votar a favor depois que Bolsonaro destinou mais de R$ 4 bilhões em emendas parlamentares.


Ao recorrer a Roberto Jefferson, Valdemar Costa Neto e outros representantes do que desde a campanha ele chama de "velha política", o presidente sabe que vai ter que continuar a abrir o cofre. De nada adianta barganhar nomeações em estatais se não houver dinheiro. Os deputados e senadores querem recursos para mostrar serviço e seduzir os eleitores (na melhor das hipóteses). Esse é o preço que Bolsonaro terá que pagar para quebrar o isolamento no Congresso.


Por isso, o Plano Pró-Brasil, que Guedes rechaça, soou como música aos ouvidos do Centrão. A cogitada quebra do teto de gastos para permitir investimentos é outro enredo que agrada a esses parlamentares e desagrada profundamente ao ministro.

A ideia de aquecer a economia injetando dinheiro do governo tem no ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, um grande defensor. Esse é o nome mais cotado para assumir o ministério da Economia, se Guedes realmente pedir o boné. Já não é segredo para ninguém o rompimento entre os dois, que trabalharam juntos para mudar a Previdência.


Marinho é bem visto pela ala militar do governo. Para os generais da reserva que atuam como ministros, em uma crise como a atual, é preciso pragmatismo. Guedes tem dificuldade em aceitar o modelo intervencionista de Keynes, hoje considerado inevitável por eles.


Por fim, tanto quanto Sergio Moro, Paulo Guedes é visto como arrogante pelo Centrão — não sem razão. Já Rogério Marinho é tido como hábil e paciente negociador, sem o qual, avaliam deputados e senadores, a reforma da Previdência não teria saído.

A semana começa, assim, sob a expectativa de mais um barraco governamental. E não será o último, já que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, já está na fila.

Enquanto isso, a pandemia do coronavírus, que já tem mais de 61 mil pessoas infectadas no país, parece longe de ser uma das prioridades do presidente Jair Bolsonaro.




Por Uol

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