MP: Operação será realizada para combate a furtos de água e energia

Em Sergipe, mais de cinco mil furtos de energia foram identificados em 2019

O famoso 'gato', como é conhecido o furto de água ou de energia elétrica, tem sido uma prática recorrente em Aracaju, em locais de alta e baixa rendas, apesar dos riscos e das penalidades a que esses infratores se sujeitam.

Os casos registrados nos últimos anos geraram reclamações por parte das concessionárias. Elas levaram a situação ao Ministério Público, que está planejando, juntamente com os órgãos, uma operação com objetivo de coibir os furtos.

O Ministério Público adianta que operações para identificar os furtos e realizar possíveis flagrantes devem ocorrer em Aracaju. Segundo a promotora Euza Missano, esse trabalho já vem sendo realizado em algumas cidades do interior.


"É bom as pessoas fazerem suas adequações necessárias para que não possam mais tarde sofrer uma responsabilização criminal por um ato que vem sendo praticado", alerta a promotora.


No ano passado, foram 5.200 casos de furtos de energia identificados em Sergipe. Só nos primeiros meses desse ano, já são aproximadamente 1.150 registros, segundo a Energisa. Já de água, a Deso estima que no ano passado de 8% a 10% de ligações existentes em todo o estado teriam sido desviados por  'gatos'. A pena para esse crime, tipificado em furto qualificado por destruição de coisa, é de 2 a 4 anos, podendo ser acrescida.


Para além das penalidades, o risco ainda é de possíveis acidentes, tanto para o autor dos desvios, como para outros moradores, comprometendo também o fornecimento regular dos serviços e a arrecadação de impostos para o Estado.


Os prejuízos se refletem no custo operacional das empresas e acabam incidindo também na conta do consumidor. Na energia, por exemplo, o consumidor que a utiliza regularmente também paga pelo desvio que vem sendo realizado.


"Quem perde é a população, pois volta para a tarifa. No geral houve perda em torno de 2,5% por causa de furto de toda a energia que é consumida no estado na área de concessão", ressalta Lucas Bomfim, coordenador de Combate à Perdas da Energisa. Os locais mais vulneráveis estão na região metropolitana, informou ele.


As concessionárias apontam que os furtos têm ocorrido em várias localidades, inclusive por grandes unidades consumidoras, sejam residências, estabelecimentos comerciais e indústrias, por exemplo. Na energia, os mais comuns são os desvios, quando o cidadão conecta uma fiação e a adulteração no medidor.


Já no caso da água, é a perfuração e a ligação clandestina que fica enterrada e o fiscal percebe quando o hidrômetro não indica nenhum consumo.


Os furtos também podem ter relação a casos de vazamentos, conforme aponta o superintendente de Operações da Deso, Napoleão Barreto. Atualmente, o prejuízo com o furto de água fica para a Deso, mas segundo ele existe a probabilidade de que essa perda seja repassada também à população.


"Eu acredito que o Estado tenha prejuízo em R$ 50 milhões mais ou menos pelo não faturamento dessa água. A pessoa não tem técnica, perfura o tubo de qualquer maneira e consegue romper. As pessoas fazem isso sem saber o perigo que estão passando, trabalhamos com pressões muito altas de até 300 metros de pressão [geralmente no interior do estado] e a pessoa está se arriscando bastante, pode estourar nele e levá-lo à morte", alerta Barreto.




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