Maduro comemora a chegada do primeiro navio petroleiro vindo do Irã para abastecer o país

Teerã está enviando 1,5 milhão de barris para a Venezuela, em ação criticada pelos EUA, que impõem sanções aos dois países

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, comemorou neste domingo a chegada às águas do país do primeiro de cinco navios enviados pelo Irã com combustível, alertando que o seu governo não "se ajoelhará" diante dos Estados Unidos , que rejeita os laços entre Caracas e Teerã.


—  O navio Fortune chegou, o primeiro dos cinco navios que trazem gasolina e suprimentos para fabricar gasolina na Venezuela —  disse em discurso na TV, acrescentando haver margem para "um amplo acordo de cooperação" entre os países.

Teerã havia alertado que haveria "consequências" se os Estados Unidos, seu principal inimigo por quatro décadas, bloqueasseem os navios, que segundo a imprensa transportam 1,5 milhão de barris de combustível.


Altas autoridades americanas expressaram "preocupação" com o "papel crescente" do Irã na Venezuela.


— Este é um triste lembrete da desesperada má administração de Maduro — disse o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Morgan Ortagus.— Os venezuelanos precisam de eleições presidenciais livres e justas que levem à democracia e à recuperação da economia, não aos acordos caros de Maduro com outro Estado pária.


O funcionário se recusou a comentar se os Estados Unidos poderiam emitir alguma medida para evitar o suprimento iraniano. Na semana passada, um porta-voz do Pentágono disse que não tinha conhecimento de nenhum movimento militar planejado contra os navios.


O Irã está fornecendo à Venezuela 1,53 milhão de barris de gasolina e componentes, de acordo com os governos, fontes e cálculos feitos pelo TankerTrackers.com, em uma ação criticada por autoridades americanas, porque os dois países estão sob sanções internacionais.

A Venezuela precisa desesperadamente de gasolina para manter o país funcionando, porque seu circuito de refino está operando com menos de 10% de sua capacidade — 1,3 milhão de barris por dia — obrigando-o a depender das importações.


—  Temos o direito de negociar livremente , trocar produtos, comprar produtos de nós mesmos, vender produtos para nós mesmos —  respondeu Maduro.

Ele acrescentou que Venezuela e Irã são “dois povos pacíficos, o que queremos é o nosso próprio desenvolvimento, dois povos rebeldes, dois povos revolucionários, que nunca vamos nos ajoelhar diante do imperialismo dos EUA".


A chegada dos navios coincide com uma severa escassez de combustível. A escassez, crônica por anos nas áreas de fronteira, foi agravada durante a quarentena de Covid-19 e chegou a Caracas.


O petroleiro Fortune planeja navegar para a refinaria El Palito, em Puerto Cabello (Carabobo, norte), a maior do país, semiparalisada pelo colapso da indústria petrolífera venezuelana.


A Venezuela produz pouco mais de 600 mil barris de petróleo diariamente, de acordo com a Opep, um quinto de sua produção há uma década. O regime vincula o colapso às sanções de Washington, mas o número estava em queda livre antes das restrições, que especialistas atribuem a irregularidades políticas, falta de investimento e corrupção.


A chegada dos demais navios iranianos esperados pela Venezuela (Forest, Petunia, Faxon e Clavel) ocorrerá nos próximos dias.


 — A Venezuela tem amigos no mundo e amigos corajosos — disse Maduro, agradecendo o apoio do presidente do Irã, Hasan Rohani, e do aiatolá Ali Khamenei.

A reeleição de Maduro em 2018 não é reconhecida por cinquenta países chefiados pelos Estados Unidos, que a consideram "fraudulenta" e que reconhecem o líder parlamentar da oposição Juan Guaidó desde o início de 2019 como presidente encarregado da Venezuela.



Por OGlobo

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