Líder de motim militar no Mali diz ter capturado presidente e primeiro-ministro

A notícia do aparente triunfo do golpe, que aparentemente ocorreu sem derramamento de sangue, espalhou-se pela capital, Bamako,onde milhares de pessoas saíram às ruas para comemorar o que aconteceu 

O presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, e seu primeiro-ministro, Boubou Cissé, foram capturados nesta terça-feira, 18, na capital, Bamako, por soldados amotinados, segundo relatou a agências internacionais um dos líderes do levante. 


Tanto o presidente como o premiê estiveram ausentes durante as longas horas do que parecia ser um motim no início e depois se transformou em um golpe de Estado. "Podemos dizer que o presidente e o primeiro-ministro estão sob nosso controle. Nós os detivemos em seu domicílio (do chefe de Estado)", declarou o líder militar, que não quis se identificar.


"IBK (presidente Keita) e seu primeiro-ministro seguiram em um veículo blindado com destino a Kati", um acampamento militar nos arredores de Bamako onde o motim começou horas antes, afirmou outra fonte militar rebelde.


Pela manhã, militares haviam tomado o controle de uma guarnição perto de Bamako, causando preocupação nos Estados Unidos e nos vizinhos do Mali sobre uma possível deposição do presidente, que enfrenta há dois meses protestos sem precedentes desde o golpe de 2012.


O governo do Mali pediu aos militares para "silenciar as armas", dizendo que estava pronto para um "diálogo fraterno para dissipar todos os mal-entendidos", segundo um comunicado de imprensa do primeiro-ministro divulgado mais cedo. "Os movimentos observados refletem uma certa frustração que pode ter causas legítimas."

Ao longo do dia, porém, esse comunicado foi questionado por observadores e  atribuído a pessoas do entorno do primeiro-ministro que estariam tentando esconder a gravidade da situação.


Comunidade internacional condena e população celebra 

Os principais países e organizações internacionais condenaram unanimemente o golpe, mas as ruas do país parecem festejar os acontecimentos. A primeira condenação veio da Comunidade dos Estados da África Ocidental (Cedeao), à qual pertence o Mali, que em comunicado urgente exortou os militares a "regressarem ao quartel sem demora", expressando a sua "forte oposição a qualquer mudança política inconstitucional”.

Por meio de um porta-voz, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou as ações e pediu a "libertação imediata e sem condições" das autoridades do Mali.


O presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, expressou-se em termos semelhantes, exigindo que os golpistas renunciassem ao uso da violência e apelou ao respeito à institucionalidade no Mali.


A França, uma ex-potência colonial com grandes interesses no Mali, condenou o golpe "com a maior firmeza", nas palavras do seu ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, que também expressou o seu respeito "à soberania e à democracia no Mali".

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, advertiu por sua vez que um golpe "nunca é a solução para uma crise, por mais profunda que seja", escreveu Michel em sua conta no Twitter.


O alto representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Josep Borrell, condenou o golpe e rejeitou "qualquer mudança inconstitucional", apelando ao diálogo e pedindo para evitar uma maior desestabilização do país e da região.

O governo da Espanha, que tem uma missão no Mali para treinar a polícia local, expressou sua “rejeição a qualquer ataque violento às instituições da República de Mali".


Mas apesar de todas essas condenações e da falta de apoio externo, os golpistas parecem ter apoio popular, a julgar pelas expressões de alegria de uma multidão que à tarde invadiu muitas avenidas do país, confraternizando com os militares.

Cenas festivas compartilhadas por meio do celular mostraram inúmeros exemplos de celebração espontânea dos acontecimentos, o que sugere que os golpistas contam, por enquanto, com o apoio de grande parte da opinião pública. /AFP e EFE 


Por ESTADÃO

instagram-icone-icon-1.png
Whatsapp-Imagens-Png-zg9Ts7.png
logo-facebook-transparente2.png

A VOZ DOS MUNICÍPIOS