Investigação conclui que Flordelis mandou matar marido; polícia prende 7

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) foi denunciada pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) e pela Polícia Civil como a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, morto em 2019. Como tem foro privilegiado, a parlamentar não será presa agora de acordo com informação das duas instituições.

Além de Flordelis, outras dez pessoas foram denunciadas, sendo que todas elas foram alvos de mandados de prisão cumpridos na manhã de hoje.

Cinco filhos da deputada e uma neta foram presos nesta manhã.

  • Adriano dos Santos Rodrigues

  • André Luiz de Oliveira

  • Carlos Ubiraci Francisco da Silva

  • Marzy Teixeira da Silva

  • Rayane dos Santos Oliveira, neta de Flordelis

  • Simone dos Santos Rodrigues

Outros dois filhos de Flordelis —Flávio dos Santos Rodrigues e Lucas Cézar dos Santos de Souza— e o ex-PM Marcos Siqueira Costa já estavam presos. A décima pessoa denunciada e que também foi presa nesta manhã é Andrea Santos Maia, mulher do ex-PM Marcos Siqueira.

Os mandados foram cumpridos em Niterói (RJ), na casa onde mora a parlamentar, em Brasília, onde ela possui um apartamento funcional, e São Gonçalo (RJ). As decisões judiciais foram expedidas pela 3ª Vara Criminal de Niterói.


Por ter foro privilegiado, Flordelis não é alvo de prisão na operação que a polícia e o MP realizam hoje. Ela é acusada de homicídio triplamente qualificado, homicídio tentado, associação criminosa, uso de documento ideologicamente falso e falsidade ideológica.


"20% da família envolvida"

"O importante é que as prisões foram cumpridas", disse o delegado Antônio Ricardo, titular da DHNSGI, ao deixar a casa da parlamentar em Niterói. "A investigação chegou a essa conclusão. A motivação é porque ela estava insatisfeita com a forma como o pastor Anderson tocava a vida e fazia a movimentação financeira. Todas as buscas que foram feitas mostraram que essas pessoas estavam envolvidas. São 11 pessoas respondendo criminalmente. Temos 20% da família envolvida nesse crime", completou.


A operação desta manhã da Polícia Civil e do MP contou com o apoio da CSI (Coordenadoria de Segurança e Inteligência), do GAESP(Grupo de Apoio Especializado em Segurança Pública do Gaeco), do MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios), e da Cecor (Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado) da Polícia Civil do Distrito Federal.

Denúncia

De acordo com o delegado Allan Duarte, a primeira fase da investigação identificou Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico da deputada, como executor do crime e Lucas César dos Santos, filho adotivo do casal, como a pessoa que comprou a arma utilizada no assassinato. Os dois estão presos há mais de um ano.

Segundo a investigação, Flordelis planejou o homicídio e foi responsável por arregimentar e convencer o executor direto e demais acusados a participarem do crime sob a simulação de ter ocorrido um latrocínio. A deputada também financiou a compra da arma e avisou da chegada da vítima no local em que foi executada, segundo a denúncia.


O motivo do crime, descreve a denúncia, seria o fato de a vítima manter rigoroso controle das finanças familiares e administrar os conflitos de forma rígida, não permitindo tratamento privilegiado das pessoas mais próximas a Flordelis em detrimento de outros membros da família.

As ações dos demais denunciados são descritas em diferentes etapas como no planejamento, incentivo e convencimento para a execução do crime, assim como em tentativas de homicídio anteriores ao fato consumado, pela administração de veneno na comida e bebida da vítima, ao menos seis vezes, sem sucesso, segundo apontaram as investigações.

A parlamentar e os demais denunciados são acusados de usar documento falso, por tentarem, através de carta redigida por Lucas, atribuir a pessoas diversas a autoria e ordem para a prática do homicídio. Segundo a denúncia, o executor Flávio tinha o objetivo de livrar ele próprio e Flordelis da responsabilização do crime.

Ainda de acordo com o MP, Flordelis também tinha o objetivo de vingar-se de dois de seus filhos "afetivos" que não teriam aceitado mentir ou ocultar informações sobre o crime durante os depoimentos. Os réus responderão também por associação criminosa.

Outro lado

A deputada sempre negou participação no crime. O UOL está tentando localizar a defesa da deputada e dos outros citados após o anúncio da denúncia.


por uol

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