Guedes e "200 milhões de trouxas de 6 bancos". Que trabalhe em vez de falar

"Em vez de termos 200 milhões de trouxas sendo explorados por seis bancos, seis empreiteiras, seis empresas de cabotagem, seis distribuidoras de combustíveis; em vez de sermos isso, vai ser o contrário. Teremos centenas, milhares de empresas. Vamos criar uma classe média forte de empreendedores. A prosperidade, salários mais altos, produtividade, maior competitividade dos brasileiros e um mercado de massa".

Esse é Paulo Guedes em videoconferência promovida neste sábado pelo Itaú BBA, um dos seis bancos...


O presidente da instituição, Candido Bracher, participava do debate. Depois o ministro tentou arrumar a fala:

"Eu, quando falo sempre que somos 200 milhões de trouxas com seis bancos, seis empreiteiras, seis isso, seis aquilo, eu quero muito mais enfatizar a importância da competição. [...] Mercados pouco competitivos são menos convenientes para os consumidores".

Então tá bom.


Entendam, meus caros: eu tenho dúvidas — ou melhor: eu não tenho — se o ministro deveria ocupar o seu tempo em "lives" com o sistema financeiro. Não que isso indique proximidade incômoda ou imprópria. Com toda a vênia, isso é apenas inútil. Ou alguém crê mesmo que algo de substancial vá se produzir em eventos assim?

Como se vê, dá azo a declarações infelizes.


Chega a ser constrangedor que um governo que nem consegue distribuir dinheiro — há milhões de pobres que ainda não receberam o benefício; a fila do Bolsa Família não anda; a do INSS é um descalabro... — se dedique a esses exercícios literalmente de autoajuda.


Explico: gente que dá palestra de autoajuda costuma dar discas para que as pessoas façam escolhas consideradas certas, , não é mesmo? Quase sempre é papo-furado, eu sei. De todo modo, a intenção é voltada para o outro. Guedes está falando para ver se consegue se ajudar.


Tomo como exemplo a sua ideia fixa de congelar o salário do funcionalismo. Nem se trata de ser contra ou a favor, mas de saber se é essa a prioridade agora. Não é. Associada ao tema, está a ajuda aos Estados. A proposta votada pelo Senado será insuficiente mesmo que o congelamento prevaleça.


Não há coordenação. Não há governo. Não há proposta.


E a razão é simples: quando o chefe de Guedes decide conversar com alguém, ele senta para distribuir cargos para o "fundão do Centrão", a turma da fuzarca.

É melancólico.


Guedes deveria ter a humildade de reconhecer que não está dando conta do recado e de pedir ajuda. Mas não vai acontecer. Em vez disso, integra a "Marcha dos Mascarados Sobre o Supremo" e vira orador da turma.


Na próxima, não podem esquecer de convidar o cabo e soldado. Sem jipe. Se bem que havia general no grupo. E da ativa.


Se o ministro tivesse uma eficiência correspondente ao tamanho de sua língua, estaríamos em situação um pouco melhor. Só um pouco. Mas já seria alguma coisa.




Por Uol

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