Garotas denunciam professor de dança por assédio

Mais de 70 meninas alegam terem sido vítimas de Edson Pequeno, inclusive, a maioria é menor de idade

“Ele me atendeu no quarto, quando cheguei vi arranhões no braço dele, nem falei e ele começou a se explicar falando que a cliente anterior tinha feito uma massagem tântrica e depositou todo o "prazer" nele, se é que não aconteceu outra coisa com ela lá, não é? Fiquei assustada, mas já estava lá. Eu estava de biquíni, pedi uma toalha para não ficar exposta no nível da cintura, assim que ele começou, ele abaixo a toalha e meu biquíni também, massageando minha barriga. Ele descia a mão para a minha parte íntima”.


O relato acima é de uma adolescente de 17 anos e faz referência ao professor de dança e massagista, Edson Pequeno. Segundo ela, o rapaz teria a cooptado no Instagram para fazer uma parceria em troca de massagens modeladoras. A princípio, a garota achou normal, por ter muita gente conhecida que também fazia parte das redes sociais de Edson.


Ela continua: “ele começou a falar novamente da massagem tântrica, que queria fazer em mim, mas não deixei. Ele fez questão de mostrar alguns objetos que usava para fazer. Nisso, ele pegou um vibrador feminino e uma pena para mostrar. Minha amiga sem entender, perguntou o que era. Foi aí que ele quis usar em mim, levando o vibrador até a minha parte, não deixei e tentei ser rígida, ele tentou insistir falando que só ia demonstrar, mas não deixei. Ainda mostrou um órgão masculino que ele tinha de borracha, fiquei mais assustada”, afirma a adolescente.


Ela diz ainda que, por já ter sido miss, achou normal o pedido dele de parceria, já que no meio da beleza funciona desta forma. Mas, após esse episódio, ela passou a perceber que outras garotas começaram a fazer relatos sobre a forma de agir de Edson, o que acendeu o sinal de alerta. A partir daí, elas passaram a trocar mensagens através de grupos de WhatsApp para decidirem o que fariam para reparar o dano causado por ele.


No último sábado, 30 de maio, com o intuito de incentivar mais denúncias de assédio sexual e expor agressores, elas resolveram abrir o jogo através do Twitter e também de um perfil no Instagram. A “hashtag” #exposedaracaju (expondo Aracaju, em tradução livre) recebeu mais de 4 mil menções, comentários e compartilhamentos e foi um dos assuntos mais comentados do domingo, 31, segundo o rastreador de hashtags Brand24.


Após as publicações, outras garotas tomaram coragem para relatar que também foram vítimas do assédio do professor de dança. “Vi muitas meninas fazendo o exposed e tomei coragem. Eu estava no 8° ano no Colégio Módulo e tínhamos uma dança da gincana para montar. A equipe o contratou, começamos a procurar um pouco mais sobre ele, e vimos que ele tinha alguns casos sobre assédio, mas nada confirmado. Nisso, eu deveria ter uns 13 anos, e já tinha idéia de que o que ele fazia era nojento. Antes dele chegar no ensaio, comprei uma calça legging porque tive medo de ir de short. Quando cheguei, pedi para um dos meus amigos fingir que era meu namorado e ir comigo para todos os lugares que eu ia, nunca me deixar sozinha, essa foi a pior sensação que tive”, narra uma adolescente.


Ela vai mais além, até chegar à parte considerada por ela como um grande abuso. “Quando conversamos sobre o que faríamos na apresentação, Pequeno queria fazer uma dança solo comigo, queria vir na minha casa para montar essa coreografia, só que eu não aceitei, eu estava com medo. No meio do treino, ele queria me "alongar" e também mais 2 amigas. Foi quando ele começou a pedir para fazermos umas posições estranhas e começamos a ficar com medo. Toda hora que a gente fazia as posições, ele encostava a parte íntima dele na nossa, se roçando. No final do ensaio, ele se despediu das meninas e eu não queria falar com ele, aí ele me puxou e deu um abraço e um selinho, foi a pior sensação da minha vida. Gente, ele oferecia massagem, e o pior era que os meninos não achavam aquilo grandes coisas, éramos pequenos”, lamenta a garota.


Já em outro relato, uma adolescente descreve mais detalhes. “Ele sempre começa o alongamento separado, primeiro dos meninos e depois das meninas. No alongamento das meninas ele ficava passando a mão nos peitos e nas XXXX, e tinhas alguns exercícios que ele fazia, que encaixava a pelve dele na nossa XXXX, e a gente sempre perguntava, porque não era normal essa tipo de coisa, e ele falava que era uma nova espécie de alongamento.  Até que, decidimos ir falar com a coordenação e ele foi proibido de ser o coreógrafo do ensino fundamental”, narra.


A equipe de Reportagem do Jornal da Cidade entrou em contato com o professor de dança, Edson Pequeno, para escutar a sua versão sobre os fatos. Segundo ele, os relatos não comprovam os assédios, além disso, a forma como trata as pessoas pode ser motivo para que confundam as coisas.


“Tenho anos e anos que trabalho com danças, massagens e dezenas de outras coisas, e até hoje meu alunos e clientes não me relataram nada que fiz de errado. Para ser sincero, essas conversas que tiraram print não vi nada de assédio, pois foi e sempre será meu jeito de tratar as pessoas. Falaram que eu assediei criança, agora eu que quero saber que tipo de assédio, pois eu quero entender tudo que está acontecendo.


Não sou de ficar dando em cima de ninguém, sempre fui de elogiar muito todas as mulheres que conheço e as que não conheço, então eu vou procurar saber o que estão falando pois não estou muito por dentro,estão queimando minha imagem sem procurar saber direito o que está acontecendo”, explica Edson.


Ele disse ainda que toma algumas precauções durante as suas aulas para que não se tenha nenhuma conotação sexual. “Li alguns prints que me mandaram e não entendi por que parcerias minhas que receberam meu trabalho estão falando mal, se elas mesmas me falaram que gostam e muito e até trouxeram clientes para mim. Acho que tem uma mentira por trás disso aí viu, ou até mesmo querendo ser solidária para eu sair como errado. Falaram que assediei criança, coisa que sempre prezei, até em meus ensaios quando iam com roupa jeans folgada, pedia pra vir de malha para não mostrar a calcinha”, diz o professor;


E finaliza: “Eu não abusei ninguém não, isso aí elas vão ter que provar. Sempre trabalhei corretamente e elas sabem disso, sempre tratei todo mundo bem e sempre fiz muitos elogios, exagerado às vezes, mas é meu jeito, como todo mundo tem o seu, mas abusar, isso aí não”, acrescenta Edson Pequeno.


Ainda esta semana, segundo informações das próprias garotas, o maior número de provas contra o professor deve ser juntado e entregue ao Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV) para que seja instaurado um procedimento investigativo.



|Por: Diego Rios

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