Enfermeiros entendem mais que governos, que impedem pessoas de trabalhar

Não é uma guerra! É a maior crise da história da saúde.

Confundindo crise na saúde com uma guerra, governantes, muitos bem-intencionados, se transformam cada vez mais em ditadores de quintal, dizendo o que não devemos fazer e até mesmo sem buscar uma saída, além da esmola para trabalhadores, principalmente de baixa renda, que não podem continuar, ao mesmo tempo, com medo da pandemia e sem ter respeitado seu direito sagrado ao trabalho.


A ciência está certíssima ao pregar o isolamento social, mas quem dará o pão às crianças, sustentará as famílias de quem depende do trabalho, e não da roubalheira, para não passar fome?


Esses governantes, repito, formado em sua maioria por gente bem-intencionada, acham que as pessoas de bem, que dependem do trabalho e que estão impedidas de trabalhar, vão aguentar ainda quantos dias?

No Estadão deste domingo, o israelense Yuval Harari nos dá várias lições:

Não é uma guerra. É uma crise de saúde. Uma enfermeira de um hospital entende muito mais dessa crise (que governos). Nosso maior inimigo não é o vírus, mas nossos próprios demônios interiores. É o nosso ódio. É a nossa ganância. É a nossa ignorância. São pessoas que incitam nosso ódio, culpando a epidemia em algum grupo humano e nos dizendo para odiá-los. É a nossa ganância. São grandes empresas que dizem: “Ei! Temos tido dificuldades ultimamente, talvez possamos aproveitar essa oportunidade para fazer com que o governo nos dê bilhões de dólares”. São pessoas que não ouvem a ciência. Em vez disso, ouvem todos os tipos de teorias da conspiração. Se conseguirmos derrotar nossos demônios interiores – ódio, ganância, ignorância –, não apenas venceremos o vírus com muito mais facilidade, como seremos capazes de construir um mundo muito melhor depois que a crise acabar. Espero que seja exatamente isso que faremos.

Boris Jonhson, que espera-se ter entendido que Premier Inglês não é o mesmo que Premier da Vida, recuperado da coronavírus, disse o que sua consciência jamais deve esquecer:

Devo a vida ao serviço público de saúde.

Voltando ao Estadão deste domingo, Leandro Karnal escreve:

Eu, que não sou religioso e não compartilho da crença em um Juízo Final, sempre penso nas perguntas do último julgador apresentadas em Mateus 25. Lá, segundo o testemunho que não é de esquerda ou de direita, que não é conservador ou revolucionário, o próprio Jesus afirma que somente serão avaliadas as pessoas por ações concretas ligadas à solidariedade humana. Será salvo quem se ocupou de presos e de doentes e não quem berrou o dia inteiro sua opinião. O Céu está reservado para os que pensaram nos outros, na caridade, na ação solidária.   O Paraíso existe para consagrar a harmonia de quem passou por cima de seus limites e atendeu quem tinha menos. Essa é a doutrina social da Igreja e, acima de tudo, a palavra direta de Jesus ao descrever como todas as vaidades humanas cairão por terra no dia derradeiro. Para ser mais específico, só serão perguntadas suas ações sobre dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede, dar roupa a quem tem necessidade, amparar doentes/encarcerados e atender estrangeiros. Só isso. Nada mais. Nenhuma posição teórica. Nenhum debate sobre imagens de santos, dízimo, socialismo ou Estado Mínimo. Só e exclusivamente a caridade fruto da compaixão.   Na hora derradeira, no momento final, no dia em que todos tremerão, apenas os seis critérios enumerados um a um: fome/sede/roupa/doença/prisão/estrangeiros. Bem… estamos na Páscoa, você ainda não morreu e o Juízo Final ainda não começou. Boa semana. 



Por Estadão

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