Em farmácia no Sudoeste, Bolsonaro pergunta sobre cloroquina

Entre os locais visitados pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, neste domingo (29/3), está uma farmácia na quadra 303 do Sudoeste, bairro nobre de Brasília, localizado a 6,8 quilômetros da Esplanada dos Ministérios. No estabelecimento, ele conversou com funcionárias, entre elas a farmacêutica, Rose Cleide da Silva Soares, 39 anos, gerente do estabelecimento.

No local, o presidente perguntou sobre a cloroquina (hidroxicloroquina), remédio usado no tratamento de lúpus e artrite, doenças crônicas autoimunes, ou seja, que fazem o sistema imunológico atacar o próprio corpo. A gerente conta que é uma admiradora do presidente, e nunca imaginou que ele apareceria em seu local de trabalho. “Foi uma surpresa. Eu vi vários homens de preto lá fora, achei que pudesse ser a vigilância ou o Procon. Abaixei a cabeça, e quando eu levantei, ele já estava aqui. Ele queria saber a procura da cloroquina aqui na drogaria e como estava a reação do cliente quando não encontrava”, disse Rose Cleide.


A farmacêutica conta que informou ao presidente que o remédio está faltando para os portadores de doenças crônicas. “Eu falei que os clientes ficam insatisfeitos, pois eles precisam para tratar essas outras doenças. Ele disse que não está nas mãos deles esse tipo de informação”, ressaltou.


Ainda de acordo com a profissional, Bolsonaro afirmou que testes científicos comprovam a eficácia do medicamento no combate a doença causada pelo novo coronavírus. “Ele disse que a cloroquina foi testada mesmo, e agora tem efeito de tratamento para o Covid-19”, completou.


As declarações do presidente, no entanto, vão em desencontro as informações repassadas pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. “Não é a panaceia (remédio para curar todos os males). A cloroquina não é o remédio que veio para salvar a humanidade, ainda”, disse o ministro. “Esse medicamento, se tomado, pode dar arritmia cardíaca, pode paralisar a função do fígado. Se sairmos com a caixa na mão dizendo ‘pode tomar’, nós podemos ter mais mortes por mal uso do medicamento do que pela própria virose. Não façam isso”, completou o ministro, em coletiva de imprensa, no sábado.





Por Msn

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