Dólar tem maior queda em quase dois anos e vai a R$ 5,517; Bolsa sobe 3,93%

O dólar comercial fechou em queda de 2,59%, vendido a R$ 5,517, na segunda baixa seguida. É a maior queda diária desde 8 de junho de 2018, quando recuou 5,59%. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, emendou a segunda alta, de 3,93%, a 81.312,23 pontos.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Relaxamento da quarentena no exterior

Investidores estavam mais otimistas com o cenário externo, diante da expectativa de flexibilização das quarentenas nas principais economias do mundo, mas ainda atentos às tensões políticas no Brasil.

"Os investidores ainda reagem positivamente à perspectiva de relaxamento do distanciamento social em vários países da Europa", disse o Bradesco em boletim diário, citando também expectativa em relação às reuniões de política monetária do Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) e do Banco Central Europeu desta semana. Após semanas de quase estagnação na atividade dos negócios em meio a medidas de distanciamento social, países como Itália e Espanha se preparam para relaxar as quarentenas e permitir que lojas, empresas e fábricas voltem a abrir suas portas. Nos Estados Unidos, alguns estados seguem os mesmos passos em direção a uma reabertura da economia.

Tensão política Enquanto isso, no cenário doméstico, os investidores seguem atentos aos desdobramentos políticos, que têm elevado a cautela e a volatilidade nos últimos dias. Após o pedido de demissão de Sergio Moro do cargo de Ministro da Justiça e boatos sobre a saída de Paulo Guedes da Economia, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que Guedes continua com a palavra final nos gastos federais.

"Dentre todos os problemas criados pela demissão do ex-ministro Sérgio Moro, o mais claro deles estaria a perspectiva de manutenção de Paulo Guedes", comentou em nota a Infinity Asset. "Agora, com o discurso de Guedes ontem junto ao presidente, reiterando o total controle da economia ao ministro (...), Guedes retoma sua posição e alivia a tensão do mercado."

Em meio à abertura de inquérito criminal para apurar acusações feitas pelo ex-ministro Moro contra o presidente, falas sobre um possível impeachment ou renúncia de Bolsonaro têm emergido nos mercados.

Na segunda-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou, questionado sobre eventual impeachment, que o Parlamento não será instrumento de turbulências e crise política, o que poderia trazer mais incertezas e dar "contornos ainda mais graves" à crise da pandemia do coronavírus.

"Este é um momento de suma importância para o alívio das tensões políticas, pois além dos países estarem próximos ao pico das reações econômicas negativas da crise viral, uma parte significativa começa a sinalizar a retomada das atividades", afirmou a Infinity Asset.



* Com Reuters

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