Beto Caju, de Carmópolis: “Se depender da minha vontade, não vou à reeleição”

No momento em que muitos sergipanos fora do poder municipal começam a construir meios e modos de tentar chegar nele, via eleição do ano que vem, Alberto Narcizo da Cruz Neto, o Beto Caju, SD, prefeito de Carmópolis, faz um caminho inverso: está no poder e desconstrói modos e meios de permanecer, apesar de estar bem avaliado como gestor.

“Se depender hoje da minha vontade, não vou à reeleição. A minha vontade é a de encerrar aqui e não ir para uma reeleição - mesmo que minha situação hoje esteja muito boa dentro do município, no contexto da maioria das pessoas e das lideranças políticas. Todos me querem, e me estimulam a ir para a disputa. Mas pelo meu coração, não quero. De jeito nenhum”, diz Beto Caju, com exclusividade à Coluna Aparte.


“Se tiver uma saída, um buraquinho, por menor que seja, pelo qual possa passar por essa brecha, eu fico de fora. E estarei voltando para a música, que é o que eu gosto mais de fazer e do que entendo”, sustenta Beto Caju, 40 anos, compositor, filho do ex-prefeito Theotônio Neto, e prefeito efetivo de Carmópolis desde o dia 2 de agosto do ano passado, quando Volney Leite Alves, 76 anos, de quem era vice, morreu. Volney fora um recordista a quem nenhum outro sergipano se encostou: estava no sexto mandato de prefeito.


Mas não busque defeito de fabricação e nem quaisquer frustrações em Beto Caju para justificar essa recusa dele em ir em frente. “Eu tenho a política como missão. Eu nunca quis ser político. Entrei nessa por um acaso. Estou apenas tentando cumprir a minha missão. Um dos fatos que têm me levado a evitar a mídia é exatamente essa minha disposição de não ir à reeleição”, diz ele.


E a decisão tem ar de séria, calcificada. Não parece uma bravata rasa. “Eu só mudo se for por uma coisa divina. Se for Deus que venha a planejar tudo e me deixar sem saída - como foi quase o que aconteceu na eleição para vice-prefeito em 2016: “chega, que seu pai não pode ir”, e aí tiveram que fazer uma pesquisa e ela deu que 80% queriam que eu fosse o candidato a vice. Então Volney disse: “eu só vou sair da minha casa para a eleição se for com Beto candidato a vice”. Então, ele me botou na parede. Num beco sem saída”, garante Beto.


“Isso é uma coisa que não escondo de ninguém. Não tem subterfúgio comigo: não estou dizendo uma coisa para fazer outra. É como eu disse: só se eu não tiver outra alternativa. Eu vou procurar meios para que a gente possa encontrar uma nova liderança, uma pessoa que possa representar bem o município para que eu possa indicar como candidato a prefeito”, afirma Beto Caju.


Essa disposição de Beto Caju está tão solidificada que ele já admite ter “vários jovens em Carmópolis que se destacam pela capacidade, e que são filhos do município, carmopolitanos”, sobre os quais ele vê chances de candidatura. “Aliás, se eu for apoiar uma pessoa, vai ter que ser natural de Carmópolis, e que viva aqui”, reforça.

Beto até já nomina gente nessa seara. “Aqui tem o Gladson Garcia, que é ex-vereador e meu secretário de Obras. Tem Décio Neto, que também já foi vereador, e tem o vereador Cristiano Mendonça. São três nomes que estão muito bem cotados. São três jovens, todos três com careira política, que foram vereadores, e pessoas a quem penso apoiar lá na frente”, revela ele. 


Como Beto é prefeito vindo da vice de um titular que faleceu, o presidente da Câmara de Vereadores, José Augusto dos Santos, PSD, vereador de quarto mandatos é, praticamente, o vice-prefeito da cidade. Mas é um opositor dele. “Só que a gente se dá razoavelmente bem, porque Zé Augusto chegou a Carmópolis através do meu pai, o ex-prefeito Theotônio Neto, de quem ele era o motorista”, diz Beto, de olho mesmo no “buraquinho, por menor que seja”, para “passar por essa brecha” e “ficar de fora” da competição. Será que?


por jlpolitica



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