Autópsia revela que George Floyd tinha sido contaminado pelo coronavírus

Ainda não há evidência concreta de que a Covid-19 tenha contribuído para sua morte, já que ele não apresentava sintomas da doença

A autópsia de George Floyd, o homem negro assassinado pelo policial branco Derek Chauvin, estopim para os protestos que tomam conta dos Estados Unidos nos últimos 10 dias, revelou que ele havia contraído o novo coronavírus e chegou a receber o diagnóstico da doença no dia 3 de abril.


Floyd, de 46 anos, morreu depois que Chauvin ajoelhou-se sobre o seu pescoço por quase nove minutos, em Minneapolis, no estado e Minnesota, em 25 de maio. O vídeo da cena, na qual ele repete várias vezes que não consegue respirar, reacendeu a questão da brutalidade policial contra negros nos EUA, cinco meses antes da eleição presidencial de 3 de novembro. 


Por enquanto, não há evidência concreta de que a Covid-19 tenha contribuído para sua morte, já que ele não apresentava sintomas da doença. O legista-chefe do necrotério responsável pela autópsia, Andrew Baker, concluiu que o resultado do teste  "provavelmente reflete positividade assintomática, mas persistente de infecção anterior".


A autópsia de 20 páginas, divulgada pelo Departamento de Medicina Legal do condado de Hennepin, também revelou que Floyd tinha uma doença cardíaca e um histórico de problemas com pressão alta; além disso, o relatório toxicológico preliminar apontou vestígios moderados de metanfetamina e fentanil (um forte opioide usado para dor).

Michael Baden, um dos dois médicos legistas que conduziu uma autópsia particular para a família de Floyd, disse ao jornal New York Times que as autoridades do condado nunca lhe disseram que Floyd havia testado positivo para a Covid-19.


Mais de 3 mil prisões

Demitido e inicialmente acusado de homicídio em terceiro grau, Chauvin, de 44 anos, será processado também por homicídio em segundo grau. Além disso, a Promotoria de Minnesota anunciou na última quarta-feira que acusará os outros três policiais demitidos por terem participado da ação de terem ajudado e favorecido o assassinato, e já entrou com mandado de prisão para o trio. Além das manifestações nos EUA, a morte de Floyd provocou protestos em outras partes do mundo, como Londres e Roterdã.


Com a nova acusação, que se soma às outras duas, Chauvin pode receber uma sentença de até 40 anos de prisão, 15 anos a mais do que a sentença máxima para assassinato em terceiro grau, equivalente a homicídio culposo.


Na madrugada desta quinta-feira, manifestantes voltaram a desafiar o toque de recolher que vigora em 40 cidades americanas. De acordo com a Associated Press, cerca de 3 mil prisões aconteceram em Los Angeles, Nova York, Dallas e Filadélfia. A maior parte das detenções aconteceu por violações do toque de recolher, mas centenas de pessoas também foram detidas por roubo e saques.


Em Nova York, por volta das 23h, um policial que fazia patrulha no bairro do Brooklyn sofreu uma emboscada e foi ferido com uma faca no pescoço. O agressor foi baleado e outros dois policiais ficaram feridos na ocorrência. Em Washington, houve novamente uma marcha em direção ao Capitólio e, após às 23h, alguns manifestantes também se recusaram a voltar para casa. Mais de 400 pessoas foram detidas.

Enquanto isso, aumentam as críticas às ações do presidente Donald Trump, que na segunda-feira ameaçou usar os militares para reprimir os protestos. Jim Mattis, ex-secretário da Defesa, que renunciou por discordar da retirada das tropas americanas da Síria, acusou o presidente de tentar "dividir" o país.


"Em toda minha vida, Donald Trump foi o primeiro presidente que não tenta unir os americanos, que não pretende nem sequer tentar", disse, em comunicado on-line publicado  pela revista The Atlantic. "Ao contrário, ele está tentando nos dividir. Somos testemunhas das consequências de três anos sem uma liderança madura."


Por OGlobo

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