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Obras da usina de hidrogênio devem durar até quatro anos após licença

Investimento de US$ 5,4 bilhões da Enegix Energy no Complexo do Pecém pode colocar o Ceará na vanguarda da produção da energia renovável. Se concretizado, será o 2º maior investimento privado da história do Estado, atrás apenas da CSP

20/02/2021 18h05
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Por: Redação Fonte: diário do nordeste
Obras da usina de hidrogênio devem durar até quatro anos após licença

Apontada como um novo divisor de águas da economia cearense, as obras da usina de hidrogênio verde (H2V) a ser instalada no Porto do Pecém – um investimento de US$ 5,4 bilhões – deverão durar entre três e quatro anos após a apresentação e aprovação dos licenciamentos do projeto. Contudo, ainda não há previsão para a data de entrega dos projetos ambiental e operacional pela Enegix Energy, empresa australiana à frente do investimento. As informações são do secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho estadual, Maia Júnior.

Se concretizado, o investimento será o segundo maior de natureza privada da história do Ceará, de acordo com informações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado (Sedet), atrás apenas da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), que contou com um aporte de US$ 6,7 bilhões. 

De acordo com Maia, o setor, no Ceará, tem um potencial de retorno financeiro semelhante, ainda que não seja igual nominalmente, aos impactos do mercado do petróleo para o Oriente Médio. “Esse projeto tem um potencial de ser o maior produtor desse combustível no mundo, e ver o Pecém ser o palco para esse projeto é muito positivo. A gente pode viver, aqui, um cenário muito parecido ao do Oriente Médio com o petróleo a partir das energias renováveis. E esse movimento coloca o Ceará como um grande produtor”, ressaltou Maia, destacando que a empresa ainda irá visitar o Porto do Pecém para definir o melhor local e mensurar alguns detalhes da planta da usina.

De acordo com Wesley Cooke, CEO da empresa australiana Enegix Energy, o empreendimento deverá gerar milhares de empregos no Estado durante a construção da usina e centenas após o início da operação. “Esse é um grande projeto que vai ajudar a melhorar a vida de muitos cearenses. Estamos muito felizes em fazer parte desse projeto em parceria com o Ceará”. O executivo participou de forma remota, por vídeoconferência, da assinatura de memorando de entendimento com o Governo para instalação da usina no Estado.

Maia Júnior ainda ressaltou que o projeto deverá impulsionar o mercado de energias renováveis no Ceará “Estou muito feliz, porque fui um dos grandes líderes das energias renováveis no Ceará e vamos dar um novo passo na evolução desse setor aqui no Estado. Eu ter trabalhado no passado para organizar tudo isso e estar novamente como parte do governo me deixa muito feliz”, afirmou. 

Memorando assinado

Para viabilizar o investimento, o Governo do Estado lançou, na manhã de ontem (19), o Hub de Hidrogênio Verde, ocasião em que assinou um memorando de entendimento com a Enegix Energy para a instalação da usina no Estado e instituiu um grupo de trabalho com representantes do governo e da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), da Universidade Federal do Ceará (UFC) e do Complexo do Pecém (CIPP S/A) para colaborar para fortalecer a cadeia do hidrogênio verde no Ceará.

“É a única energia verde renovável que pode ser transportada. Nós podemos exportar essa energia para o mundo inteiro”, pontuou o governador Camilo Santana a respeito do potencial do empreendimento durante o anúncio. “Nós estamos aqui dando um pontapé inicial em um momento que eu considero histórico para o Ceará”, afirmou o governador.

Apoio

O presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, reforçou a importância do momento para o Ceará. “Temos o que há de melhor no mundo em energia, com a complementaridade da energia solar e eólica. Isso nos faz imbatíveis no mundo em produção de energia. O Ceará, com toda essa capacidade, poderá se tornar um grande produtor mundial de hidrogênio verde”, destacou.

Já Cândido Albuquerque, reitor da UFC, frisou que a iniciativa é inédita. “O momento para o Ceará significa que, ao contrário de esperar que outros países produzam para que nós importemos, estamos criando, inovando e empreendendo. Isso é essencial”. 

O vice-presidente do Porto de Roderdã, René Van Der Plas, também participou por videoconferência direto da Holanda. “O Ceará já é muito forte na geração de energia eólica e solar, e temos a infraestrutura necessária para a produção de hidrogênio verde e a exportação em grande quantidade. Essa assinatura mostra o comprometimento de todos os setores do Estado para a redução da emissão de poluentes”.

A expectativa é que, com o investimento, o Ceará se torne o maior produtor de hidrogênio verde do País e também o principal exportador para a Europa, transferindo o produto por meio do Porto do Pecém, até ao Porto de Roterdã, na Holanda.

Potencial do hidrogênio

A Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA) projeta até 2025 que 6% do consumo final de energia global esteja associado ao hidrogênio. O hidrogênio verde representa uma das soluções energéticas mais promissoras, acessíveis e sustentáveis para reduzir as emissões de gás carbônico. E para alcançar a neutralidade climática proposta para 2050, a descarbonização de indústrias que dependem do uso de combustíveis fósseis será essencial. 

O hidrogênio verde é produzido através de fontes de energia renováveis e é atualmente considerado o pilar da transformação energética mundial por poder ser obtido através da eletrólise da água, livre de carbono. “Todo o mundo caminha para a utilização de energia limpa e o Ceará está na vanguarda que vai mudar a realidade socioeconômica, pois temos todas as condições favoráveis para produzir e exportar o hidrogênio verde”, destacou o governador.

 

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